Ser homem e ser mulher

Ser homem e ser mulher

Vamos apresentar alguns princípios relacionados à masculinidade e à feminilidade que nos ajudarão a entender como se dá a compreensão pessoal da identidade de gênero, bem como suas expressões sócio-culturais que nos revelam o que é ser homem ou mulher dentro de nosso ambiente cultural. E, discutiremos alguns preceitos bíblicos que permeiam este tema.

Inicialmente, é fundamental citar alguns pressupostos, colocados por Medinger no livro “Novos Caminhos”:

1. Especialmente na infância, boa parte dos homens não se sentiu suficientemente masculinos;

2. Com freqüência o ponto central da homossexualidade masculina é caracterizado pela busca da masculinidade de outros homens; uma masculinidade que se deseja, mas que ao mesmo tempo, o indivíduo não se vê capaz de atingi-la. A ausência de identidade masculina é o aspecto que dirige e dá força a busca homossexual.

3. Grande parte das mulheres em nosso ministério sofreu algum tipo de abuso por parte de homens, e como decorrência deste abuso, rejeitou algumas características de sua identidade feminina. Isto se trata de uma atitude de auto-defesa.

4. Além disso, algumas mulheres observaram suas mães serem abusadas de alguma forma por outros homens; isto gerou uma decisão interna: “se isto é o que acontece com as mulheres, eu não quero ser uma mulher”.

 

PRINCÍPIO 1 – A mulher já tem, em boa medida, sua identidade feminina, porém o homem precisa receber sua identidade masculina.

Observamos em várias culturas ritos de passagem para que os meninos se tornem homens e aprendam com os mais velhos. No entanto, na maioria dos casos, a mesma cultura não possui práticas equivalentes para as mulheres. Uma teria que explica este fato é que como as meninas nascem a partir dos corpos de suas mães, elas identificam-se com a feminilidade desde o seu nascimento. Por outro lado, os meninos apesar de nascerem de um corpo feminino, terão que aprender que não são como suas mães e, de fato, precisarão romper com a identificação atrelada a elas. Em seguida, necessitarão buscar sua identidade em outra fonte. Ao perceberem sua semelhança com seus pais, iniciarão o processo de receberem suas identidades masculinas deles, desde que nada interfira neste processo.

 

PRINCÍPIO 2 – O problema real do homem na homossexualidade não é excesso de características femininas, mas sim que não conseguiu desenvolver sua masculinidade suficientemente ou adequadamente. O problema da mulher no lesbianismo não é que tenha excesso de características masculinas, mas sim que tenha rejeitado sua feminilidade.

Isso nos revela que o problema não está em que homens sejam sensíveis, intuitivos e até mesmo dados a fazeres doméstico. Não há nada intrinsecamente errado em mulheres demonstrarem aptidões esportivas ou analíticas. A falta está quando não conseguimos realizar nossos papeis como homens e mulheres de acordo com os propósitos de Deus. Neste contexto, a “cura” está mais relacionada à atitude de “revestir-se” de algo, do que “despir-se”.

PRINCÍPIO 3 – Tantos os homens como as mulheres são uma combinação da masculinidade e da feminilidade – porém, nos homens, deve predominar a masculinidade, e a feminilidade nas mulheres, segundo a imagem de Deus.

PRINCÍPIO 4 – Tantos os homens como as mulheres são iqualmente valiosos para Deus – ambos foram criados à sua semelhança. “Desse modo não existe diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus.” (Gl 3.28).

PRINCÍPIO 5 – Os homens e as mulheres foram criados para funções diferentes.

PRINCÍPIO 6 – Os homens e aas mulheres foram criados para complementarem-se uns aos outros.

 

O Plano De Deus Para Homens E Mulheres

 

E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2Co 3.18).

O plano original da humanidade não incluía o pecado e suas mazelas, mas Deus não desistiu dos homens mesmo quando este o desobedeceu. A redenção por meio do sacrifício de Jesus traz outra oportunidade de refletirmos a glória de Deus como espelhos. A masculinidade e a feminilidade são duas formas complementares de representarmos a imagem de Deus. Ele se mostra tanto nas características dos homens quanto nas peculiaridades das mulheres. E, se revela ainda mais maravilhosamente na união abençoada dos dois. O Pai sabe tudo sobre o ser de um homem tanto quanto sobre o ser de uma mulher. Nele está o padrão para os dois gêneros. Ele é o criador de ambos.

No entanto, muitas vezes estes “espelhos” estão quebrados em nosso interior e a imagem que refletimos está muito aquém dos propósitos do Senhor. Ele mesmo nos chama a restaurar nosso interior como homens e mulheres para que possamos espelhar sua face de maneira cada vez mais nítida. O nosso criador é também re-criador!

Dentro deste assunto, existe duas maneiras que Deus escolheu para demonstrar seu padrão de masculinidade e de feminilidade: através das Escrituras e através de Sua criação.

 

A Revelação Nas Escrituras

 

Existem duas narrações diferentes no texto bíblico para a criação do homem e da mulher. Vejamos:

“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez. Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Houve tarde e manhã, o sexto dia.” (Gn 1.26-31).

 

“Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado. Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. (…) Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a todos os seres viventes, esse seria o nome deles. Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.” (Gn 2.7-9; 2.18-23).

O primeiro texto ressalta essencialmente os fatores que unem os dois sexos. A ênfase está naquilo que é compartilhado por homens e mulheres. Ambos possuem a capacidade de refletir a imagem e semelhança de Deus, os dois têm sua origem no Senhor e dependem disso para se realizar, o mesmo valor é dado tanto para o macho quanto para a fêmea no que se refere a dignidade, valor e aceitação por parte do Senhor, os dois seres humanos receberam um chamado e uma responsabilidade diante da criação a sua volta, deveriam atuar como uma unidade na multiplicação da humanidade, na povoação e sujeição da terra. Este mandamento não foi dado apenas a Adão, mas sim, à equipe Adão e Eva. E, isto aos olhos de Deus não foi “bom”, foi “muito bom”.

O segundo texto revela algo muito interessante. Fala sobre as diferenças notáveis que distinguem as funções e as potencialidades dos gêneros. Note as diferenças:

· Adão foi formado do pó da terra (objeto inanimado), Eva foi a única criatura a ser gerada de outro ser vivo.

· Adão foi criado em solitude, no que tange outros seres humanos, foi um processo entre Deus e o “macho”. Eva foi criada em uma relação de três pessoas.

· Deus ao criar Adão plantou um jardim, o colocou no meio e o desafiou a administrar o meio externo. Eva assim que abriu os olhos foi apresentada a outro ser humano.

· Deus chegou a conclusão que o isolamento e a solidão não eram bons para Adão, ele precisava de mais da divindade para executar seu chamado e refletir mais perfeitamente o ser de Deus. A resposta para isso foi a mulher. Eva foi a maneira como Deus escolheu para derramar sobre a terra e sobre Adão mais de sua pessoa.

· A maior força de Adão estava em conquista o meio externo. Eva possui sua maior força em relacionar-se com outros seres humanos.

· Adão na relação sexual fornece o esperma e termina seu trabalho, por assim dizer. Eva recebe a semente e passa nove meses gerando, nutrindo, administrando a vida dentro de si.

· Analise as diferentes táticas de satanás na tentação e as distintas conseqüências que o pecado gerou para o homem e para a mulher. Adão foi afligido na sua relação com o ambiente, com o trabalho de suas mãos. Eva foi prejudicada em sua função de gerar vida.

· Adão como “cabeça” e Eva como “auxiliadora idônea” manifestam as funções complementares que não podem ser negligenciadas.

 

A Revelação Em Nossos Corpos

Precisamos ter uma teologia correta com relação ao corpo. Deus valoriza o seu corpo e não salvou somente sua alma. Todo nosso ser deve ser apresentado a Ele, inclusive nossos “corpos como sacrifício vivo, santo e agradável” (Rm 12. 1). Ainda segundo Alan Medinger, a constituição física dos homens e das mulheres também fala sobre as diferenças entre os sexos. Vejamos alguns exemplos (observe que estes dados revelam aspectos gerais, e não diferenças universais):

· Em primeiro lugar existem as diferenças genitais.

· Os homens te uma constituição de 40% de músculos e 15% de gordura; as mulheres de 23% de músculos e 25% de gordura.

· Homens têm coração e pulmões maiores, assim como mais hemoglobina no sangue, permitindo atividades físicas bem mais intensas que as mulheres.

· O lado direito do cérebro é especializado em relacionamentos visuais e espaciais. Já o esquerdo em linguagem. Acredita-se que os homens e as mulheres operam de forma diferenciada quanto a seus cérebros. Parece que o cérebro masculino age de maneira mais lateralizada.

· “Corpus Callosum”. Este é o feixe de nervos que unem os dois hemisférios do cérebro humano. Ele é bem mais espesso nas mulheres do que nos homens, capacitando uma maior interação entre os dois hemisférios.

O significado de tudo isso, parece ser que Deus criou o homem e a mulher tendo em vista certas diferenças naturais, as quais podem variar muito de uma pessoa para outra, porém tratam-se de diferenças que se complementam entre si. Cada cultura encontra uma forma de expressar e adaptar-se a tais distinções, apesar de que traços comuns aparecem em todas as culturas.

Ainda buscando a compreensão do sentido de ser homem e mulher segundo o que já foi posto até aqui, podemos resumir em algumas palavras as distinções.

De que forma este entendimento pode nos ajudar a superar a homossexualidade? Ajuda-nos a superar a confusão que existe hoje quanto ao que seja ser homem ou mulher. Também aprendemos a reconhecer que as diferenças não são arbitrárias, não são impostas primeiramente pela sociedade, mas que representam o plano do nosso Criador. Além disso, esta compreensão auxilia as pessoas na homossexualidade a identificarem fraquezas e a estabelecerem alvos que as capacitem a se tornarem a pessoa que Deus intentou que fossem.

Com relação as demonstrações culturais da masculinidade e da feminilidade é necessário que tenhamos um equilíbrio. A priori, precisamos abrir-mão de estereótipos comuns como: homens são machões, durões, agressivos e “mulherengos”, e, que mulheres devem ser “sexy”, sedutoras, independentes, ou, para outros, fracas e dependentes dos homens.

É fundamental analisar os padrões culturais à luz da palavra de Deus, rejeitar tudo aquilo que está em desalinho com o ensino bíblico e aceitar o que restar, pois nossa masculinidade e feminilidade precisa se expressar dentro de um contexto cultural, descartando-se os exageros.Afinal, a sociedade funciona melhor quando os papéis dos homens e mulheres estão claramente definidos. As crianças, por exemplo, carecem profundamente disto. E, queiramos ou não, já temos imagens internalizadas do que acreditamos ser o homem ou a mulher, e nos avaliamos segundo estas imagens.

É necessário que alguém que esteja saindo da homossexualidade seja incentivado a “fazer o que os homens/mulheres fazem” para que o medo e a inadequação com o “mundo dos(as) homens/mulheres” seja superado, e haja afirmação da sua identidade de gênero que provavelmente não foi afirmada na infância.

Enfrentar o temor de ser humilhado, de ser rejeitado como na infância e adolescência ou de ser ferido pode paralisar o processo de restauração pelo qual precisam passar. Esses temores ganham mais força por que estão enraizados nas lembranças e geram a sensação de que ainda permanecemos criancinhas indefesas e incapazes em frente de outros homens/mulheres de verdade. Contudo, a palavra de Deus afirma: “posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.13). Não existe crenscimento sem confronto. Não há restauração sem desafiarmos nossas zonas de segurança pelas quais trasitamos confortavelmente. Deus nos leva a encarar nossos temores com coragem e ousadia, confiantes no seu amor e cuidado permanente que nos possibilita a laçar fora todo medo.

Quando Israel saiu do Egito em direção a Canaã, Deus os comparou a filhotes de águias que estavam aprendendo a voar (Dt 32.11). Esta ave empurra os filhos de um alto lugar, mesmo que essa não seja a vontade deles. Faz isso para para coloca-los em queda livre e então os força-los a bater as próprias asas. Isso é estratégia de crescimento que talvez não seja agradável logo de inicio aos filhotes, mas é necessário para que seus medos sejam confrontados e eles alcanssem altos voos. Assim é Deus, permite que situações difícies aconteçam para nos propocionar um ambiente de crescimento. Confie e obedeça as direçoes que Deus lhe concede no que se refere aos seus relacionamentos com pessoas do mesmo sexo ou qualquer outro aspecto de seus hábitos e afinidades.

Busque em Deus o padrão de ser homem e mulher e dentro dos preceitos da Escrituras e da complementaridade física, emocional e espiritual que Ele planejou para o ser humano, desafie a qualquer pessoa que deseja aperfeiçoar o seu senso de masculino ou feminino, a romper com os medos e interagir com fé e paciência com aquilo que é sadio dentro do contexto cultural vivenciado. E, assim refletiremos mais plenamente a imagem e semelhança do Altíssimo.

 

Texto baseado no “Manual Novos Caminhos” de Alan Medinger, largamente utilizado para acompanhamento de pessoas que desejam desenvolver sua identidade de gênero de maneira satisfatória por meio de um relacionamento pessoal com Cristo. Traduzido para o português por Willy Torresin.